Dataqia🎲 sortear

Também disponível em: English (US)

Glossário de IA para leigos

A inteligência artificial encheu o noticiário de palavras estranhas: token, embedding, RAG, alucinação, fine-tuning. Este glossário explica os 30 termos mais essenciais em linguagem simples, cada um com uma definição curta e um exemplo do cotidiano. Nada de fórmula, só o suficiente para você acompanhar qualquer conversa sobre IA sem se perder.

TermoO que éExemplo do cotidiano
TokenÉ o pedaço de texto que o modelo realmente processa: pode ser uma palavra, parte de uma palavra ou um sinal de pontuação. Modelos de linguagem não leem letras soltas, e sim essa sequência de tokens. Em inglês, um token equivale mais ou menos a 4 caracteres.A palavra cachorro pode virar 1 token, enquanto uma palavra longa e rara costuma ser quebrada em vários.
LLM (modelo de linguagem grande)Sigla em inglês para large language model. É um modelo treinado em enormes quantidades de texto para prever a próxima palavra e, com isso, escrever, resumir e responder. ChatGPT, Gemini e Claude são exemplos.Quando você pede o resumo de um e-mail e recebe um parágrafo pronto, foi um LLM que gerou.
PromptÉ a instrução ou pergunta que você envia ao modelo. A qualidade da resposta depende muito da clareza do prompt, que pode incluir contexto, exemplos e o formato desejado.Escrever liste 5 nomes de cachorro em ordem alfabética é um prompt.
Prompt de sistemaÉ uma instrução de bastidor, definida por quem monta o aplicativo, que orienta o comportamento do modelo antes da sua mensagem. Ela fixa o papel, o tom e as regras. Você normalmente não a vê.O atendente virtual de um banco tem um prompt de sistema mandando ser formal e nunca pedir a sua senha.
Janela de contextoÉ a quantidade máxima de tokens que o modelo consegue considerar de uma vez, somando a sua mensagem e a resposta. O que passa desse limite é cortado ou esquecido. Modelos recentes têm janelas de centenas de milhares de tokens.Colar um livro inteiro pode estourar a janela de contexto de um modelo menor.
Parâmetros (pesos)São os números internos ajustados durante o treinamento que guardam o que o modelo aprendeu. Quanto mais parâmetros, maior tende a ser a capacidade, e também o custo. Modelos grandes têm bilhões deles.Dizer que um modelo tem 70 bilhões de parâmetros é falar do tamanho do seu cérebro numérico.
Rede neuralÉ a estrutura de cálculo, inspirada de longe no cérebro, feita de camadas de unidades conectadas que transformam números em números. É a base de quase toda IA moderna e aprende ajustando as suas conexões.O desbloqueio por rosto do seu celular roda sobre uma rede neural.
TransformerÉ a arquitetura de rede neural que domina a IA de linguagem desde 2017, apresentada no artigo Attention Is All You Need. Ela processa o texto em paralelo usando o mecanismo de atenção. O T de GPT vem dela.Tradutores automáticos modernos usam transformers para manter o sentido da frase.
Atenção (self-attention)É o mecanismo que deixa o modelo pesar quais palavras da frase importam mais para cada uma das outras. É o que permite entender a quem um pronome se refere. É o coração do transformer.Em o gato subiu porque ele estava com fome, a atenção liga ele a gato.
EmbeddingÉ a representação de um texto como uma lista de números, um vetor, que captura o seu significado. Textos parecidos ficam com vetores próximos. É assim que a máquina compara sentidos, e não apenas palavras iguais.Uma busca por significado encontra automóvel ao procurar carro porque os embeddings estão próximos.
Vetor e banco vetorialUm vetor é a lista de números de um embedding. Um banco vetorial guarda milhões desses vetores e encontra rapidamente os mais parecidos com uma consulta. É a memória de busca por significado.Um assistente que lembra dos seus documentos costuma guardá-los em um banco vetorial.
Pré-treinamentoÉ a primeira e mais cara fase, quando o modelo lê uma quantidade gigantesca de texto para aprender a língua de forma geral. Nessa etapa ele ainda não é especializado em nada. Só depois vem o ajuste.É como alguém que leu meia biblioteca antes de escolher uma profissão.
Fine-tuning (ajuste fino)É treinar mais um modelo já pronto com dados específicos para melhorar numa tarefa ou num estilo. Custa muito menos do que treinar do zero e serve para adaptar o modelo ao seu domínio.Um escritório ajusta um modelo com os seus contratos para ele escrever no padrão da casa.
LoRAÉ uma técnica de ajuste fino leve que altera apenas uma pequena parte do modelo, em vez de tudo. Economiza memória e tempo e é muito usada para personalizar geradores de imagem.Criar um estilo próprio de ilustração sem retreinar o modelo inteiro costuma usar LoRA.
InferênciaÉ o momento em que o modelo já treinado é usado para gerar uma resposta. Cada resposta consome computação e, por isso, custa dinheiro. Diferente do treinamento, ela acontece toda vez que você usa.Cada mensagem que você manda para um chatbot dispara uma inferência.
TemperaturaÉ um controle da aleatoriedade da resposta, começando em 0. Perto de 0 o texto fica mais previsível e repetitivo; mais alto, fica mais criativo e imprevisível. Ajusta o quanto o modelo ousa.Para um poema você sobe a temperatura; para gerar um número de documento, você abaixa.
Top-p (amostragem por núcleo)É outro controle de aleatoriedade que limita a escolha às palavras mais prováveis que juntas somam uma fração p da probabilidade. Com p baixo o modelo fica mais conservador. Costuma andar junto com a temperatura.Um top-p de 0,9 mantém as opções plausíveis e descarta as bizarras.
AlucinaçãoÉ quando o modelo responde algo que soa convincente mas é falso ou inventado. Acontece porque ele prevê o texto mais provável, e não a verdade verificada. Por isso vale conferir fatos importantes.Um modelo citar um livro que não existe é uma alucinação.
RAG (geração aumentada por recuperação)Sigla para retrieval augmented generation. O sistema primeiro busca trechos relevantes numa base confiável e só então pede ao modelo que responda com base neles. Reduz alucinação e permite usar dados atuais.Um suporte que responde citando o manual do produto costuma usar RAG.
Zero-shotÉ pedir uma tarefa ao modelo sem dar nenhum exemplo, contando só com o que ele já aprendeu. É o uso mais comum no dia a dia e funciona bem para tarefas simples.Perguntar traduza isto para o espanhol, sem exemplos, é zero-shot.
Few-shotÉ colocar alguns exemplos dentro do prompt para mostrar o padrão que você quer antes de pedir o resultado. Costuma melhorar a precisão e o formato. Poucos exemplos já ajudam bastante.Mostrar 3 e-mails no seu tom antes de pedir um novo é few-shot.
QuantizaçãoÉ reduzir a precisão dos números do modelo, por exemplo de 16 para 4 bits, para ele ocupar menos memória e rodar mais rápido. Perde um pouco de qualidade em troca de leveza. Permite rodar modelos grandes em máquinas modestas.Rodar um modelo no seu notebook geralmente só é possível com a versão quantizada.
DestilaçãoÉ treinar um modelo pequeno para imitar um grande, transferindo boa parte da capacidade num pacote mais barato de rodar. O pequeno vira o aluno do professor. Serve para versões rápidas e econômicas.As versões mini e flash de modelos famosos costumam ser destiladas.
GPUÉ a placa de vídeo, um chip que faz muitas contas em paralelo. Foi criada para jogos, mas virou o motor do treinamento e da execução de IA. Sem GPUs, os modelos atuais seriam inviáveis.A disputa por GPUs cresceu justamente por causa da corrida da IA.
Difusão (modelos de difusão)É a técnica por trás da maioria dos geradores de imagem. O modelo parte de um ruído aleatório e vai limpando passo a passo até formar a imagem pedida. Também já é usada para vídeo e áudio.Pedir um gato astronauta em aquarela e receber a arte pronta usa difusão.
MultimodalÉ o modelo que entende ou gera mais de um tipo de dado, como texto, imagem, áudio e vídeo juntos. Ele pode olhar uma foto e responder sobre ela, o que amplia muito os usos.Enviar a foto da sua geladeira e pedir receitas com o que há nela exige um modelo multimodal.
Agente de IAÉ um sistema que usa um modelo para planejar e executar várias etapas sozinho, acionando ferramentas como busca, calculadora ou e-mail. Ele vai além de responder: age em direção a um objetivo. Ainda erra e precisa de supervisão.Pedir para pesquisar voos e montar um roteiro pode ser tarefa de um agente.
Ferramentas e function callingÉ a capacidade de o modelo acionar funções externas, como consultar um banco de dados ou uma API, quando percebe que precisa. O modelo decide quando chamar e com quais dados. É o que conecta a IA ao mundo real.Um chatbot que mostra o rastreio real da sua encomenda está usando ferramentas.
Overfitting (sobreajuste)É quando o modelo decora os exemplos de treino em vez de aprender o padrão geral e, por isso, vai mal em casos novos. É um risco comum no ajuste com poucos dados. O sinal é acertar no treino e falhar na vida real.Um modelo que só reconhece os gatos das fotos que já viu sofreu overfitting.
BenchmarkÉ um teste padronizado usado para comparar modelos em tarefas como matemática, código ou conhecimento geral. Ajuda a medir progresso, mas não conta tudo sobre o uso real. Número alto nem sempre vira utilidade prática.Quando um lançamento diz que superou o concorrente, quase sempre está citando um benchmark.

Como estas definições foram conferidas

Cada verbete foi checado contra pelo menos duas fontes técnicas confiáveis, entre a documentação da OpenAI, do Google Cloud e da Hugging Face, mais os artigos que fundaram a área, como Attention Is All You Need (Vaswani e colegas, 2017), que apresentou o transformer, e o artigo de geração aumentada por recuperação (Lewis e colegas, 2020), que deu nome ao RAG. A ideia foi manter a explicação simples sem sacrificar a precisão.

Última atualização: · Metodologia e fontes